PUBLICIDADE

Acordo EUA-China: Retomada da compra de soja americana pode prejudicar agro brasileiro mais que tarifaço

Um novo acordo entre EUA e China para compra de soja americana pode impactar negativamente o agro brasileiro, superando os efeitos de tarifas anteriores.

Reaproximação comercial entre as potências asiática e ocidental ameaça a vantagem competitiva do Brasil no mercado global de grãos.

Um novo acordo entre EUA e China para compra de soja americana pode impactar negativamente o agro brasileiro, superando os efeitos de tarifas anteriores.

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de incertezas com o anúncio, nesta quinta-feira (30), de um acordo comercial entre Estados Unidos e China. A principal medida, a retomada imediata da compra de soja americana pelo gigante asiático, é vista por analistas como um potencial revés para o Brasil, com impactos que podem superar os do “tarifaço” imposto anteriormente pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Donald Trump, ao comentar o acordo a bordo do Air Force One após encontro com o líder chinês Xi Jinping em Busan, Coreia do Sul, enfatizou a importância da negociação. “Estamos de acordo em muitos pontos, grandes quantidades, quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”, declarou o então presidente, sinalizando uma guinada significativa nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Impacto na Competitividade Brasileira

A disputa comercial entre EUA e China, que se intensificou nos últimos anos, havia gerado um efeito colateral benéfico para o Brasil. Com a suspensão total das compras de soja dos Estados Unidos pela China como retaliação tarifária, o Brasil emergiu como o principal fornecedor da oleaginosa para o mercado chinês, consolidando sua posição como um dos maiores exportadores agrícolas globais.

Essa vantagem competitiva, no entanto, está agora sob ameaça direta.

A retomada das compras chinesas de soja americana significa um aumento da concorrência e uma potencial redução da demanda por produtos brasileiros. Produtores e exportadores do Brasil podem ter que ajustar suas estratégias de preço e logística para manter a competitividade, especialmente considerando que a China é o maior importador mundial de soja.

A perda de parcela de mercado para os Estados Unidos pode levar a quedas nos preços internos e impactar a balança comercial brasileira.

Especialistas do setor alertam que, diferentemente das tarifas, que impunham barreiras mais previsíveis, a mudança na dinâmica de oferta e demanda com a reentrada massiva da soja americana no mercado chinês pode gerar flutuações mais intensas e difíceis de gerenciar. O desafio para o agronegócio brasileiro será adaptar-se rapidamente a essa nova realidade, buscando diversificar mercados e agregar valor aos seus produtos para mitigar os efeitos de uma competição acirrada.

O governo brasileiro e as entidades do agronegócio devem monitorar de perto os desdobramentos desse acordo, buscando salvaguardar os interesses dos produtores nacionais. A capacidade do Brasil de manter sua relevância no cenário agrícola global dependerá de sua agilidade em responder a essas mudanças geopolíticas e econômicas.

A longo prazo, a diversificação e a busca por novos parceiros comerciais serão cruciais para a resiliência do setor.

Leia mais

Rolar para cima