Ação policial letal no Complexo do Alemão e Penha desencadeia série de investigações e reaviva debate sobre a atuação das forças de segurança no Rio de Janeiro.
Megaoperação no Rio de Janeiro, com 121 mortes, gera investigações e intensa repercussão, reacendendo o debate sobre a letalidade policial no estado.
Uma megaoperação deflagrada contra o Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão e da Penha tornou-se a mais letal da história do Rio de Janeiro. A ação resultou na morte de quatro policiais e 117 suspeitos, totalizando 121 óbitos.
Diante do número expressivo de fatalidades, diversas investigações foram abertas para apurar as circunstâncias que levaram a um desfecho tão sangrento.
Na manhã seguinte à operação, moradores da Vila Cruzeiro, na Penha, expuseram mais de 60 corpos em uma praça da comunidade. A cena chocou o país, atraiu a atenção da imprensa internacional e reacendeu o debate sobre a letalidade policial e os protocolos de segurança pública no estado.
A visibilidade do caso intensificou a pressão sobre as autoridades para esclarecer os fatos.
Após o ocorrido, diferentes órgãos do sistema de Justiça passaram a cobrar esclarecimentos sobre a atuação policial. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a preservação integral de todas as provas. O ministro Alexandre de Moraes esteve no Rio para reuniões com o governador Cláudio Castro (PL) e outras autoridades, onde um relatório com 18 respostas solicitadas pelo STF sobre a operação foi apresentado. O Ministério Público do Rio (MPRJ) abriu uma investigação independente, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), e solicitou acesso às gravações das câmeras corporais dos agentes. A Defensoria Pública do Estado (DPERJ) criou uma força-tarefa, colhendo relatos de familiares que indicam mortes de pessoas inocentes, material que será usado nas investigações.
A ADPF das Favelas e as Cobranças do STF
A megaoperação trouxe novamente à pauta a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. A ação, ajuizada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), monitora a letalidade policial e busca assegurar que as operações sigam parâmetros legais e constitucionais, visando proteger a vida de moradores de comunidades.
Em abril, o Supremo Tribunal Federal já havia determinado que o governo do Rio de Janeiro adotasse medidas para conter a violência em operações policiais. Entre as exigências estavam o uso proporcional da força, a instalação de câmeras nas viaturas e a criação de um plano de reocupação de áreas dominadas por facções.
Também foi determinada a participação da Polícia Federal em investigações sobre milícias e tráfico interestadual e internacional.
As investigações prosseguem, com a Polícia Federal abrindo um inquérito para apurar a atuação do crime organizado no Rio de Janeiro. A letalidade da megaoperação no Complexo do Alemão e Penha não apenas gerou um profundo luto e questionamentos imediatos, mas também impulsiona uma reavaliação crítica das estratégias de segurança pública e da responsabilidade institucional no combate à criminalidade no estado.

