Presidente teria endurecido discurso após receber dados de inteligência sobre ação policial que deixou mais de 100 mortos.
Aliados de Lula sugerem que o presidente mudou seu discurso sobre a megaoperação no Rio de Janeiro devido a novas informações de inteligência recebidas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou significativamente seu posicionamento em relação à megaoperação policial que resultou em mais de uma centena de mortes no Rio de Janeiro. Segundo auxiliares e aliados próximos, essa mudança de tom, que o levou a classificar a ação como uma “matança”, deve-se à posse de novas informações cruciais sobre o ocorrido.
A declaração foi feita durante uma entrevista a jornalistas estrangeiros em Belém, na última terça-feira, 4 de novembro.
Até então, a postura do governo e do próprio presidente era notavelmente mais moderada. Esse posicionamento inicial era, em parte, influenciado por pesquisas de opinião que indicavam um apoio majoritário da população, especialmente no Rio de Janeiro, à operação policial.
A cautela nas declarações visava, aparentemente, alinhar-se à percepção pública prevalente.
A guinada no discurso de Lula foi acompanhada de uma defesa veemente da atuação da Polícia Federal (PF) nas investigações das mortes. O presidente expressou a intenção de envolver legistas da PF no processo investigativo, levantando questionamentos sobre os procedimentos periciais anteriores. “Nós estamos tentando essa investigação. Nós, inclusive, estamos tentando ver se é possível os legistas da Polícia Federal participarem do processo de investigação da morte, como é que foi feito, porque tem muito discurso, tem muita coisa. As pessoas foram enterradas sem que houvesse a perícia de outro órgão. Então, nós estamos trabalhando nisso”, afirmou Lula, sublinhando a necessidade de maior transparência e rigor na apuração.
A Operação e o Debate Nacional
A megaoperação em questão, deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense, tinha como alvo o Comando Vermelho. O saldo de mais de 100 mortos gerou intenso debate sobre os limites da ação policial e os direitos humanos, colocando o governo sob os holofotes tanto nacional quanto internacionalmente.
A complexidade do cenário de segurança pública no Rio de Janeiro e a recorrência de operações de grande porte com alto número de vítimas reforçam a urgência de investigações aprofundadas.
Na avaliação de ministros e assessores presidenciais, as informações de inteligência recém-adquiridas por Lula são de tal peso que, uma vez divulgadas, poderiam reconfigurar a opinião pública sobre a operação. Essa expectativa de um impacto significativo na percepção popular é vista como o catalisador para o endurecimento do discurso presidencial, indicando que a narrativa oficial pode estar prestes a passar por uma reavaliação substancial.

