Governo petista é criticado por usar sobra orçamentária, fruto de exclusões do programa, como marketing político para as próximas eleições.
O governo Lula é acusado de transformar cortes no Bolsa Família em promessa eleitoreira de R$ 700 para 2026, gerando críticas de oportunismo político.
A promessa de elevar o valor médio do Bolsa Família para R$ 700 em 2026, ventilada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está gerando intensas críticas, sendo interpretada como uma manobra eleitoral oportunista. A iniciativa levanta questionamentos sobre as prioridades do governo petista, especialmente ao considerar o contexto de cortes significativos que resultaram na exclusão de milhões de famílias do programa social nos últimos anos.
A discussão surge em um momento crucial, com as próximas eleições presidenciais no horizonte.
A base para essa promessa é uma suposta folga orçamentária de R$ 4 bilhões. Contudo, essa “sobra” não é um indicativo de eficiência, mas sim o resultado direto de cortes drásticos que, desde 2023, levaram à exclusão de aproximadamente 2,7 milhões de famílias do Bolsa Família. O governo, portanto, estaria transformando uma consequência de suas revisões cadastrais em um pilar para marketing político, ignorando a realidade de que o benefício médio atual já é de R$ 683. As projeções de inflação para 2026, estimadas em 3,6%, sugerem que qualquer reajuste simbólico pode ser rapidamente corroído.
Prioridades Questionáveis em Meio a Exclusões
A manobra expõe uma fragilidade na gestão do programa social. Em vez de utilizar a margem orçamentária para reconduzir as 925 mil famílias pré-habilitadas que foram excluídas devido a burocracia ou falhas no sistema, o governo parece priorizar inflar o valor médio para um grupo menor de beneficiários em um ano eleitoral.
Essa estratégia levanta dúvidas sobre o compromisso real com a inclusão em larga escala, focando mais na imagem pública e na percepção de generosidade.
O histórico recente do programa também é um ponto de discórdia. Em 2024, o governo gastou cerca de R$ 8,6 bilhões a mais do que o previsto, em grande parte devido a fraudes e irregularidades em cadastros.
Após esse cenário de descontrole, o Partido dos Trabalhadores (PT) agora celebra uma suposta “eficiência” em enxugar o programa. Contudo, essa “eficiência” é vista como um pretexto para bancar um aumento que, na prática, pode se mostrar efêmero com novas revisões no Cadastro Único, sem resolver os problemas estruturais de acesso e fiscalização.
A crítica central é que o governo estaria repetindo um padrão já conhecido no Bolsa Família: menos famílias atendidas em nome de mais propaganda política. A promessa de R$ 700 para 2026, embora numericamente atraente, parece desconsiderar a complexidade do cenário social e fiscal, priorizando ganhos eleitorais de curto prazo em detrimento de uma política de assistência social mais robusta, inclusiva e transparente.
A ausência de uma decisão formal do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), que confirma apenas “cálculos frios” sem garantia de implementação, reforça a percepção de que a medida é, antes de tudo, uma estratégia de comunicação.