Presidente destaca investimento em preservação florestal durante Cúpula do Clima, enquanto governo busca equilibrar as contas públicas.
Lula anuncia investimento de US$ 1 bilhão em fundo florestal, cobrando nações ricas por responsabilidade climática, em meio a desafios fiscais brasileiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (6) o repasse de US$ 1 bilhão (equivalente a cerca de R$ 5,3 bilhões) ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O anúncio ocorreu durante a Cúpula do Clima em Belém, um dos eventos preparatórios para a COP 30, que será realizada na cidade em 2025.
O fundo, segundo o presidente, será um “investimento, e não uma doação”, destinado a remunerar países que mantiverem suas florestas em pé, reforçando a importância da conservação ambiental global.
Este aporte financeiro, contudo, surge em um contexto de crescentes pressões da oposição e do mercado financeiro para que o governo promova cortes de gastos. O Ministério da Fazenda tem enfrentado dificuldades significativas para aumentar a arrecadação e cumprir a meta de zerar o déficit das contas públicas até 2026, tornando o anúncio um ponto de discussão sobre as prioridades fiscais do país.
Brasil e a Liderança Climática Global
Aproveitando a plataforma da Cúpula, Lula cobrou que as nações desenvolvidas façam “anúncios igualmente ambiciosos” e assumam suas “responsabilidades históricas” na luta contra as mudanças climáticas. Em um artigo publicado no jornal O Globo, o presidente argumentou que “os países ricos foram os maiores beneficiados pela economia baseada em carbono” e, portanto, “precisam estar à altura de suas responsabilidades”, não apenas com promessas, mas com a honra de suas dívidas ambientais.
O encontro em Belém foi utilizado por Lula para reforçar o protagonismo do Brasil nas negociações climáticas internacionais. Ele reiterou o pleito pela reforma da governança global, especialmente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente classificou a Cúpula de Belém como o “início da COP da verdade”, uma conferência que, em suas palavras, “mostrará a seriedade de nosso compromisso com todo o planeta”.
Lula destacou os esforços internos do Brasil, mencionando a redução “pela metade da área desmatada na Amazônia” em dois anos de governo e a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país, que prevê a redução de 59% a 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. Ele incentivou outros países a apresentarem NDCs “igualmente ambiciosas e as implementarem efetivamente”.
Apesar do forte tom ambiental, o presidente defendeu o uso de recursos provenientes do petróleo para financiar uma transição energética “justa, ordenada e equitativa”. Ele citou a Petrobras como um exemplo de empresa que, no futuro, deverá se transformar em uma companhia de energia, sublinhando que “é impossível seguir indefinidamente com um modelo de crescimento baseado nos combustíveis fósseis”.
A fala também buscou interligar as questões ambientais às sociais, associando o combate ao aquecimento global à luta contra a fome e a desigualdade.
Ao final de sua mensagem, Lula reforçou a ambição do Brasil em liderar o debate climático mundial, criticando a repetição de “muitas promessas, mas poucos compromissos efetivos” nas conferências anteriores. “A época das cartas de boas intenções se esgotou: é chegada a hora dos planos de ação”, concluiu, sinalizando a urgência por ações concretas e resultados tangíveis.