Período de liderança global do país, iniciado em 2023 sob o governo Lula, culmina com a cúpula climática e encerra mandatos no G20, Brics e Mercosul.
A COP30 em Belém marca o encerramento do ciclo de liderança internacional do Brasil, iniciado em 2023. O país presidiu G20, Brics e Mercosul.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que terá início em Belém a partir desta segunda-feira, 10 de novembro de 2025, sob a presidência do Brasil, marca o encerramento de um ciclo intenso de protagonismo do país em cúpulas internacionais. Este período de liderança global, que se estendeu de dezembro de 2023 a dezembro de 2025, acumulou a presidência de três importantes blocos internacionais e a organização do maior evento sobre meio ambiente e sustentabilidade.
Este ciclo de proeminência na arena internacional coincidiu com a terceira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto. Lula utilizou esses palcos para levantar bandeiras e defender pautas prioritárias para o Brasil e o Sul Global. Enquanto algumas de suas premissas obtiveram êxito e consenso, outras demandas encampadas pelo presidente não avançaram como o esperado.
A Liderança Brasileira em Blocos Globais
O protagonismo do Brasil começou em 1º de dezembro de 2023, com a inédita presidência do G20, o grupo das 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia e a União Africana. Lula delineou três eixos centrais para o comando brasileiro: o combate à fome, pobreza e desigualdade; o desenvolvimento sustentável em suas dimensões econômica, social e ambiental; e a reforma da governança global.
Em novembro de 2024, a Cúpula dos Líderes do G20, sob a batuta brasileira, alcançou um importante consenso sobre a necessidade de limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C, reconhecendo que os impactos seriam menores com elevação limitada a 1,5°C.
No campo da sustentabilidade, houve também forte apoio ao Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), uma iniciativa que busca preservar a cobertura vegetal e que começa a se materializar na COP30. Outros trunfos diplomáticos incluíram o compromisso de países com a Aliança Global contra a Fome e a discussão sobre a taxação dos super-ricos, pautas que ganharam espaço em documentos oficiais.
Contudo, a reforma da governança global, uma das prioridades de Lula, não obteve os avanços esperados. O sucesso do encontro, inclusive, esteve por um fio devido à ameaça da Argentina de não assinar o documento final, exigindo grande habilidade da diplomacia brasileira antes de o Brasil passar o comando do G20 à África do Sul.
A virada para 2025 manteve o Brasil em evidência com a presidência do Brics, o agrupamento formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que recentemente expandiu para incluir Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Para essa gestão, o país listou sete pontos de relevância, incluindo cooperação em saúde global, comércio e finanças, mudança climática, governança da inteligência artificial, arquitetura multilateral de paz e segurança, e desenvolvimento institucional.
A realização da COP30 em Belém, portanto, não é apenas um marco ambiental, mas também o ponto culminante de um período de intensa atividade diplomática brasileira. Após presidir o Mercosul até o final de dezembro de 2025, o Brasil concluirá seu atual ciclo de liderança direta em importantes fóruns internacionais, deixando um legado de esforços em prol da sustentabilidade e de uma governança global mais equitativa, mesmo com desafios persistentes.