Plataformas digitais e marketplaces se tornam canais para a aquisição de itens restritos, levantando preocupações sobre a segurança pública e o controle de fronteiras.
Venda online de armas e equipamentos táticos por facções criminosas se intensifica, gerando preocupações sobre segurança pública e controle.
A venda de armas, acessórios táticos e roupas camufladas pela internet tem se consolidado como uma ameaça crescente à segurança pública no Brasil. Plataformas especializadas e grandes marketplaces estão sendo explorados para comercializar armamentos, miras, coldres e equipamentos semelhantes aos utilizados por integrantes das Forças Armadas e diversas polícias.
Embora muitos desses itens não sejam ilegais isoladamente, seu uso por civis levanta sérias suspeitas quando associado a atividades criminosas, evidenciando uma lacuna preocupante na fiscalização.
Em uma megaoperação recente desencadeada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro, dezenas de integrantes do Comando Vermelho (CV) mortos em confronto com policiais trajavam fardamento camuflado. Esse incidente sublinha a sofisticação das facções criminosas na aquisição de equipamentos que mimetizam os das forças de segurança, buscando não apenas intimidação, mas também confusão em cenários de confronto.
Os Desafios do Controle e Fiscalização
O processo de importação de armamentos para o Brasil é, teoricamente, rigoroso. Segundo a delegada substituta da Receita Federal Juliana Guimarães, da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, toda arma que entra legalmente no país passa obrigatoriamente pela Receita, que verifica a regularidade do processo.
“Trazer armamentos para o país não é algo simples. O processo é rigoroso, envolve o Exército e exige diversas licenças específicas”, explicou a delegada, reforçando a complexidade burocrática.
No entanto, armas de grosso calibre raramente ingressam por vias legais, o que sugere a existência de rotas clandestinas bem estabelecidas. Isso reforça a importância crítica de fiscalizações intensivas em rotas aéreas e marítimas, bem como o monitoramento constante das plataformas online que podem servir como vitrines para o crime organizado.
A natureza sensível desses materiais exige uma vigilância constante e multifacetada.
Juliana Guimarães reitera que a entrada desses materiais no país só é autorizada após a anuência prévia dos órgãos competentes, formalizada por meio de uma Licença de Importação (LI). No caso de armas, munições, explosivos e itens de uso restrito, a autorização cabe ao Exército Brasileiro, que atua como órgão anuente.
Sua função é avaliar e autorizar a entrada ou saída desses produtos no comércio exterior, assegurando o respeito às normas legais e técnicas vigentes.
Apesar dos controles existentes, a facilidade com que faccionados conseguem adquirir esses equipamentos online demonstra a necessidade de aprimoramento das estratégias de inteligência e cooperação entre as agências de segurança. A luta contra o crime organizado exige não apenas repressão, mas também a desarticulação de suas cadeias de suprimentos, incluindo os canais digitais que hoje representam uma fonte preocupante de armamentos e itens táticos.

