Estabelecimento na Asa Norte utiliza fachada de bem-estar para enganar clientes e descredibilizar profissionais legítimos.
Em Brasília, uma suposta clínica de massoterapia opera como fachada para serviços sexuais, onde clientes escolhem 'terapeutas' por meio de um desfile, descredibilizando profissionais sérios.
Sob a camuflagem de uma “clínica de massoterapia”, um estabelecimento localizado no subsolo de uma quadra comercial na Asa Norte, em Brasília, tem sido palco de um engenhoso esquema para a oferta de serviços sexuais. A prática inicia-se com um método peculiar de seleção, onde os clientes são convidados a escolher suas “terapeutas” através de um desfile.
Este artifício levanta sérias questões sobre a ética e a legalidade das operações do local, que se apropria indevidamente de termos da área da saúde e bem-estar.
O processo de escolha, que lembra uma espécie de “catálogo vivo”, é o primeiro passo para o que o estabelecimento denomina “terapia”. Com um valor fixado em R$ 170 pela suposta sessão e um adicional de R$ 80 por um “aditivo especial”, explicitamente nomeado “xerecada da alegria”, o cliente é direcionado a uma saleta onde o “elenco” de jovens se apresenta. Elas desfilam individualmente, cada uma com seu “nome de guerra” e um estilo que pouco se alinha com a imagem profissional de uma massagista.
O Desfile e a Decepção
Durante a apresentação, as vestimentas das jovens reforçam a verdadeira natureza do serviço. Uma das “terapeutas”, descrita com cabelos longos e pretos e um sorriso matreiro, vestia um short e um top que, longe de serem trajes profissionais de massoterapia, serviam claramente a propósitos de sedução.
Outra, ainda mais explícita, exibia apenas uma camisola vermelha de renda, completamente transparente, dissipando qualquer dúvida sobre a intenção da “sessão”. A terceira, embora com um visual mais recatado, completava o trio disponível para os “serviços de relaxamento” naquela tarde.
Após a exibição, a gerente do local retorna para finalizar a escolha do cliente. A reportagem, que esteve no local sob disfarce, conseguiu sair sem prosseguir com a “sessão terapêutica”, utilizando uma desculpa sobre “agenda apertada”.
A experiência, contudo, revelou a estrutura bem montada por trás da fachada de “massoterapia”, confirmando as denúncias sobre as atividades ilícitas.
A utilização do termo “terapeuta” por estabelecimentos com fins sexuais não é apenas um eufemismo; é uma apropriação indevida que descredibiliza profundamente profissionais sérios e éticos da área da saúde. A massoterapia, assim como outras terapias complementares, exige formação técnica rigorosa, ética profissional e conhecimento aprofundado para auxiliar na saúde física e psicológica das pessoas.
Essa distorção não só engana o público, mas também mancha a reputação de uma categoria profissional inteira. É fundamental que haja fiscalização e que a população esteja atenta a estabelecimentos que prometem bem-estar, mas entregam serviços que divergem completamente dos princípios da saúde e da ética profissional.

