Empresário opta por nova sigla diante de risco de inelegibilidade e amplia articulação política na região de fronteira
O ex-candidato a prefeito de Ponta Porã, Carlos Bernardo, oficializou sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT) e deve se filiar ao União Brasil. A decisão ocorre em meio a incertezas jurídicas e após o partido sinalizar que não autorizaria candidaturas sub judice.
Segundo informações, o PT deixou claro que Carlos Bernardo só teria sua candidatura viabilizada caso houvesse uma resposta favorável do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) quanto à sua elegibilidade. Diante do risco de ter os votos anulados, o empresário decidiu não aguardar a definição judicial e buscar uma nova sigla.
Carlos Bernardo era considerado um dos nomes fortes do PT para disputar uma vaga em Brasília. No entanto, o cenário político se tornou mais competitivo com a possível filiação do ex-prefeito Marquinhos Trad ao Partido Verde (PV), ampliando a concorrência interna e reduzindo as garantias dentro da legenda.
Trajetória e influência regional
Antes de consolidar sua atuação política e empresarial em Ponta Porã, Carlos Bernardo residiu por vários anos em Nova Andradina, onde ganhou notoriedade ao dirigir uma rádio comunitária. À frente da emissora, destacou-se pelo protagonismo em seus programas, conquistando visibilidade e reconhecimento em toda a região do Vale do Ivinhema.
Posteriormente, mudou-se para a cidade fronteiriça de Ponta Porã, onde construiu uma sólida trajetória empresarial, acumulando patrimônio e ampliando sua influência. Atualmente, é proprietário de uma universidade de medicina e trabalha para transformar a instituição em um projeto binacional, com o objetivo de atender estudantes tanto do Paraguai quanto do Brasil.
Nas últimas eleições para deputado federal, Carlos Bernardo disputou uma vaga. Apesar de estar ao lado de nomes importantes da política estadual, como o ex-governador André Puccinelli, não obteve votos suficientes para garantir sua eleição.
Questões jurídicas e cenário eleitoral
A situação jurídica do empresário também pesa na decisão. Ele foi declarado inelegível após realizar uma doação considerada irregular durante as eleições de 2020, em Itumbiara (GO). Na ocasião, Bernardo contribuiu com R$ 90 mil para a campanha do então candidato Rogério Rezende Silva, valor superior ao limite permitido, que era de R$ 20,7 mil.
Na última eleição municipal em Ponta Porã, Carlos Bernardo teve o registro de candidatura indeferido em primeira instância, mas conseguiu reverter a decisão no TRE. O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém não houve julgamento definitivo. A ministra Cármen Lúcia entendeu que a ação perdeu o objeto, já que o candidato não foi eleito.
Com a mudança de partido, Carlos Bernardo busca manter viável sua trajetória política, agora sob uma nova estratégia e em um cenário eleitoral ainda indefinido.
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Crédito: Texto adaptado de Wendell Reis – Investigams