Ministro critica proposta de enquadrar facções como terroristas e defende postura de Lula em operação no Rio.
Guilherme Boulos critica consórcio de governadores que propõe classificar facções como terroristas, chamando a medida de "traição à pátria" e defendendo a linha do governo federal.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, teceu duras críticas neste fim de semana à articulação de governadores de oposição, que defendem o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas. Para Boulos, essa medida pode ser interpretada como uma “traição à pátria”, abrindo precedentes perigosos para a interferência internacional em assuntos internos do Brasil.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o ministro foi enfático ao questionar a eficácia de tal mudança. “Você vai combater o tráfico de drogas mudando o nome de narcotraficante para terrorista?
Isso não muda um ‘A’. Quando esses governadores se prestam a um papel desse, estão montando um consórcio de traição à pátria”, declarou.
As falas de Boulos surgem após o lançamento do “Consórcio da Paz”, uma iniciativa de governadores de centro e direita, articulada após uma operação no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes. O grupo visa integrar ações de segurança e promover propostas como o Projeto de Lei do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), que busca alterar a Lei Antiterrorismo para incluir organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias.
Boulos também manifestou concordância com a avaliação do presidente Lula sobre a operação no Rio, que o chefe do Executivo classificou como “matança”. “Não errou. Eu acho que foi uma matança, e algumas das vítimas dessa matança, quatro particularmente, foram policiais”, afirmou o ministro, rebatendo críticas do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que acusou o governo federal de omissão. Segundo Boulos, a União tem apresentado propostas concretas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, buscando assumir mais responsabilidades na área.
Abordagens Contrastantes na Segurança Pública
O ministro argumentou que existem visões fundamentalmente opostas sobre como enfrentar a criminalidade. “Qual é a nossa diferença para a ‘extrema direita’?
Eles querem usar a insegurança da população para fazer política à base do medo e do sangue. Nós queremos enfrentar de verdade o problema da segurança e do crime organizado.
Isso passa pelo quê? Pegar peixe grande”, explicou Boulos, defendendo uma estratégia focada em desmantelar as cúpulas das organizações criminosas.
Ao ser questionado sobre pesquisas que indicam apoio popular a operações policiais controversas e à postura de Cláudio Castro, Boulos relativizou os dados, alertando para os perigos de pautar decisões políticas por esses sentimentos. “A população aplaudiu o banho de sangue [no Rio], assim como a população de São Paulo, em 1992, aplaudiu o massacre do Carandiru.
Agora, francamente, se esse sentimento for pautar a decisão política de um governo, daqui a pouco estaremos defendendo câmara de gás”, concluiu, sublinhando a necessidade de um debate racional e humanitário sobre a segurança.