Ministro do STF exige esclarecimentos detalhados sobre a letal operação policial e o plano de segurança para favelas do Rio de Janeiro.
Alexandre de Moraes questiona governo do RJ sobre operação policial que resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais, e a metodologia da perícia.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu-se nesta segunda-feira (3/11) com autoridades do Governo do Rio de Janeiro para discutir a recente operação policial que resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais. Durante o encontro, Moraes estabeleceu três eixos principais para sua apuração, buscando esclarecimentos detalhados sobre a letalidade e o planejamento da ação, bem como sobre as estratégias futuras de segurança pública no estado.
Esclarecimentos sobre a Operação e Perícia
Em sua primeira questão, o ministro solicitou informações pormenorizadas sobre o planejamento da operação. A alta cifra de mortos, que alcançou 121 indivíduos, incluindo os quatro agentes de segurança, levantou sérias preocupações e a necessidade de compreender as diretrizes e os protocolos adotados antes e durante a intervenção.
A transparência no planejamento é vista como crucial para avaliar a proporcionalidade e a necessidade do uso da força em ações desse porte.
Na sequência, Moraes aprofundou seu questionamento sobre a forma como a perícia foi conduzida após os confrontos. Aspectos técnicos da investigação pós-operação foram colocados em xeque, com o ministro indagando especificamente sobre as razões que levaram a um número tão elevado de óbitos.
A qualidade e a imparcialidade das investigações forenses são elementos fundamentais para assegurar a responsabilização e a justiça em casos de grande letalidade policial.
Por fim, a terceira questão endereçada ao governo estadual focou no plano de retomada de territórios, inserido no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. O ministro perguntou sobre o cronograma de envio desse documento à Suprema Corte.
Conforme antecipado, o plano deverá ser encaminhado ao STF até o dia 20 de dezembro deste ano, detalhando as estratégias do estado para o controle e a pacificação de áreas conflagradas.
Apesar da rigidez das cobranças, integrantes do Palácio Guanabara expressaram a percepção de que o ministro Alexandre de Moraes demonstrou satisfação com os esclarecimentos prestados durante a reunião. A expectativa agora é pelo cumprimento dos prazos e pela apresentação dos documentos solicitados, que serão cruciais para as próximas etapas da análise do STF sobre as operações policiais no Rio de Janeiro e a implementação de políticas de segurança mais eficazes e menos letais.