Pesquisa aponta que pacientes da rede pública são diagnosticadas em estágios mais avançados e têm pior prognóstico em comparação com a rede privada.
Um estudo abrangente com mais de 65 mil mulheres em São Paulo revelou que pacientes de câncer de mama no SUS têm menor sobrevida e diagnósticos mais tardios.
Após análise de mais de 65 mil casos, um estudo recente apontou que mulheres diagnosticadas com câncer de mama e atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de São Paulo apresentam menor sobrevida e são identificadas em estágios mais avançados da doença. Publicada em 25 de setembro na revista Clinical Breast Cancer, a pesquisa abrangeu o período de 2000 a 2020.
A investigação, que analisou 65.543 casos no estado, demonstrou uma diferença notável na taxa de sobrevida dez anos após o diagnóstico. Enquanto 81,6% das pacientes com câncer em estágio inicial (I) na rede privada permaneciam vivas, esse percentual caía para 77,5% entre as atendidas pelo SUS. A disparidade se acentua ainda mais nos quadros mais graves, onde a sobrevida no estágio III atingiu 55,6% na rede privada, mas apenas 39,6% no sistema público.
O radio-oncologista Gustavo Nader Marta, que liderou o estudo e preside a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), sublinhou a profunda desigualdade observada. Segundo ele, o local onde o tratamento é realizado ainda exerce forte influência sobre o prognóstico das pacientes. Tal cenário, conforme destacado pelo especialista, reflete desigualdades estruturais que demandam enfrentamento urgente.